Monday, April 14, 2008
Independência, coração e RTP
Fernanda Câncio foi convidada, através de uma produtora, para produzir uma série de documentários para a RTP2. Diz a jornalista do DN que tem currículo na área social e que a sua vida privada só a ela diz respeito. Falta saber se a jornalista mantém a sua independência. Se assim fora, nada a opor. Ora, o que se depreende dos artigos de opinião da jornalista no DN é que não é isso que acontece. Pelo menos, não me lembro de um único artigo - e li bastantes - onde a jornalista tenha criticado o Governo. Ninguém censura Fernanda Câncio por não o fazer, nem que mantenha uma relação de intimidade com o chefe do Governo, o que não pode é vir reclamar uma independência que não tem. E para se trabalhar para a estação pública de televisão, ser independente do poder político é condição indispensável. Não é o seu caso. Poderia Fernanda Câncio manter a sua independência política, separando, num exercício difícil, coração e profissão. Há alguns casos no mundo, raros, em que tal aconteceu. Pelo que lemos do que escreveu, não foi isso que aconteceu com a jornalista do DN. Não tem razão, por isso, Fernanda Câncio e a RTP. Contudo, tal não significa que a queixa da direcção do PSD seja pertinente, não é seguramente a contratação de Fernanda Cãncio pela RTP que preocupa os portugueses. E não faz sentido o maior partido da oposição convocar uma conferência de imprensa para falar de uma questão que, não sendo irrelevante, tem de ser considerada menor face aos graves problemas do País.
Friday, February 29, 2008
O poder triturador dos média com os políticos de regresso
Parece que o fenómeno é universal: quando um candidato prestigiado pelo exercício de funções públicas pretende regressar ao cargo e enfrenta um challenger, os média transformam o candidato em bombo da festa. Foi assim com Mário Soares, está a ser assim com Hillary Clinton. O candidato passa a ter todos os defeitos e todas as suas pequenas gaffes passam a ser exponenciadas e aproveitadas para o ridicularizar. Pelo contrário, as gaffes do adversário são desvalorizadas e tidas como naturais e desculpáveis. O trabalho meritório, as qualidades políticas e as garantias do candidato aferidas pelo seu passado político são irrelevantes para este jornalismo imaturo, que faz do fait divers e da pequena bravata, por vezes cobarde, um modo de se afirmar. No final, depois de terem colaborado na lapidação política do candidato, alimentando alguma inveja social, numa luta contra "os poderosos", dirão que tinham razão. Seguramente, quem perde é o País. No que me diz respeito, considero Barak Obama uma incógnita. Ninguém pode prever como será uma sua eventual presidência. É um óptimo tribuno, um "gajo porreiro" com quem o eleitor médio se identifica e gostaria de tomar uma cerveja. O problema é que esses foram os atributos que levaram Geoge W. Bush ao poder. Com as consequências que são conhecidas...
Saturday, January 19, 2008
Menezes e a pluralidade de comentadores
Luís Filipe Menezes pediu maior pluralidade nos painéis de comentadores, não só da televisão pública como das privadas. É verdade que a liderança do PSD tem estado muitos furos abaixo das expectativas, mas desta vez Menezes tem razão. Ao contrário do que alguns parecem defender, não há vacas sagradas em democracia e a comunicação social não é uma ilha imune a críticas. Se os jornalistas e comentadores podem criticar os agentes políticos, estes também têm toda a legitimidade para criticar os primeiros. Em primeiro lugar, deve haver um critério quando se convida comentadores e estes critérios devem ser públicos, sobretudo, no caso da RTP. O crotério é o da representatividade partidária? É o da notoriedade pública? Das audiências? Da truculência verbal? Qual, então? O que leva a RTP a convidar um destacado militante do PS, alinhado com a actual política do Governo, e a convidar outro destacado militante do PSD que, ao contrário do primeiro, é um crítico do seu próprio partido? Ora, não sejamos ingénuos. Dando uma no cravo e outra na ferradura, Marcelo Rebelo de Sousa tem sido uma óptima muleta do actual Governo. E ter dois comentadores defensores do Governo, um mais assumido, outro menos, não é um sinal de pluralidade em País nenhum. Sem falar no direito que os outros partidos, embora menos representativos, têm a expressar as suas opiniões sobre o País. E, em termos de comentadores, têm sido silenciados, o que não dignifica a estação pública de televisão.
Por outro lado, mesmo as televisões privadas têm o dever de assegurar a pluralidade de opiniões perante os seus espectadores e não há pluralidade de opiniões com um único comentador! Por mais picante que possa ser Miguel Sousa Tavares, ele apenas se representa a si próprio. E, por coincidência ou não, tem sido mais um arauto das políticas deste governo. Mesmo que, tal como Marcelo, dê uma no cravo e outra na ferradura. Não chega para assegurar a plutalidade do comentário político, Menezes tem razão.
Por outro lado, mesmo as televisões privadas têm o dever de assegurar a pluralidade de opiniões perante os seus espectadores e não há pluralidade de opiniões com um único comentador! Por mais picante que possa ser Miguel Sousa Tavares, ele apenas se representa a si próprio. E, por coincidência ou não, tem sido mais um arauto das políticas deste governo. Mesmo que, tal como Marcelo, dê uma no cravo e outra na ferradura. Não chega para assegurar a plutalidade do comentário político, Menezes tem razão.
Sunday, December 16, 2007
O PSD e Alcochete
O PSD decidiu apoiar a localização do n0vo aeroporto de Lisboa em Alcochete. Sem o estudo do LNEC ainda ser conhecido! É o regresso do pior do Santanismo: decidir com base em mexericos e notícias de jornal especulativas. Ganhar credibilidade é sempre muito difícil, perdê-la muito fácil. Luís Filipe Menezes que se cuide.
Sunday, December 9, 2007
De sucesso em sucesso, estamos 20% mais pobres
Os salários reais nos últimos 7 anos caíram cerca de 10%, com destaque para a Função Pública. Some-se o aumento do IVA de 17 para 21%, uma subida de 4%. Acrescente-se mais 4 ou 5% de gastos mensais, correspondentes ao aumento da gasolina e veja-se que o nível de vida dos trabalhadores portugueses baixou cerca de 20% desde 2000. Para quem ganha 500 euros, são menos 100 euros. Para quem ganha 1000 euros, são menos 200. Para quem ganha 1500, são menos 300 euros ao fim do mês. Não admira que já haja professores e médicos à porta do Banco Alimentar contra a Fome. O que vale é que estamos num País com políticas de grande sucesso...
O BES e as reformas
O BES anuncia que as pensões de reforma irão baixar 30 a 50% e propõe, desde já, aos portugueses um PPR com as poupanças que não sobram ao fim do mês. Sócrates propõe-nos a miséria mínima garantida após a reforma e ainda lhe devemos agradecer porque salvou a Segurança Social. Mais um estrondoso sucesso da sua política...
Moribundos ao serviço, já!
As recusas de aposentação por parte da Segurança Social continuam, até os moribundos têm de se apresentar ao serviço. As poupanças assim geradas provam, desde já, que os métodos da Segurança Social são um grande sucesso. É o Portugal socrático no seu melhor...
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